Rastreio Cognitivo: vale a pena?
Atualizado: 23 de ago.
Vamos ser sinceros, já todos avaliámos a nossa própria memória e considerámos que algo não estava bem. Seja porque nos estamos a esquecer das chaves com frequência, de compromissos que tínhamos marcado ou porque sentimos que já não somos tão produtivos no trabalho ou nos custa mais a prestar atenção a uma conversa.
Lamento imenso dizer-lhe, mas...
a nossa memória é falível
Falha-nos. Depende de outros fatores que não apenas o seu bom funcionamento. Por exemplo, basta estar preocupado com alguma situação ou estar com a sua atenção na conversa da mesa do lado para não se lembrar do que estava a dizer ou do que a outra pessoa lhe disse. Curioso, não é? O que o nosso cérebro é capaz de fazer.
Bom, isto para lhe dizer que, efetivamente, quando sentimos mudanças na nossa memória, atenção, linguagem ou na forma como planeamos o nosso dia a dia [e havendo mudanças, comparativamente à forma como se organizava antes], é de marcar um rastreio!
Agora, talvez se questione: Mas afinal, o que é um rastreio?
Nada mais, nada menos, que uma entrevista clínica, seguida de um conjunto de instrumentos, validados para a população portuguesa, em que avaliamos, de certa forma, se está dentro da média do que é esperado para a sua idade e escolaridade. Simples, não-invasivo, indolor. O objetivo é perceber se existem sinais que justifiquem uma avaliação mais aprofundada ou outro tipo de acompanhamento. Porque é que é importante avaliar?
Quando sente alterações na sua respiração, batimento cardíaco, movimentação do corpo ou outra alteração, também vai ao médico, certo? Então, o cérebro não deixa de ser um órgão – por sinal, aquele que comanda todas as funções cognitivas, emocionais, físicas e vitais.
Um órgão frágil que precisa de energia para ir vivendo e, se vir bem, há muitas doenças que afetam o cérebro. Não falo só de demências. Pense num doente diabético – com alterações do açúcar no sangue, o cérebro deixa de conseguir desempenhar as suas funções. Mas, repare, penso que aqui o ponto nem será tanto este: se é uma doença ou não. É a importância da prevenção. Porque não ver como está o seu cérebro? Monitorizar a sua evolução. Como faz com as suas análises ao sangue todos os anos [espero eu!], por exemplo.
Quando pode fazer sentido procurar uma avaliação?
Não existe uma idade específica a partir da qual as pessoas devam realizar um rastreio cognitivo. A avaliação pode ser particularmente pertinente quando existem alterações persistentes ou progressivas, tais como:
Esquecimentos que começam a interferir nas atividades do dia a dia;
Dificuldade crescente em gerir tarefas habituais;
Repetição frequente das mesmas perguntas ou histórias;
Maior dificuldade em encontrar palavras;
Dificuldades novas na orientação temporal ou espacial;
Alterações na atenção ou concentração;
Dificuldade em organizar ou planear tarefas que anteriormente eram realizadas sem dificuldade;
Preocupação da própria pessoa ou de familiares relativamente a alterações cognitivas.
É também importante considerar alterações que surjam de forma significativa ou relativamente rápida, uma vez que nem todas as causas de dificuldade cognitiva estão relacionadas com demência.
Então, se sente dificuldades cognitivas persistentes, impactantes no seu dia a dia e que geram preocupação, marque o seu rastreio cognitivo! Penso que já lhe dei razões mais do que suficientes, não? 😁
Fabiana Xavier
Psicóloga [CP nº28889]
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